Aqui estou eu, excluída e matando o tempo na internet
Tomando coragem de enfrentar o marido Oscar
Eu poderia estar namorando, assistindo a novela, mas estou aqui...
Isso porque marido Oscar não sabe se divertir
Tudo porque eu resolvi sair de casa ao som de trovões que anunciavam a chuva do final do dia
Eu sai com as maricotas e a minha mãe
Fomos a pé até a feirinha da praça da ucrânia
Foto Gazeta do Povo
Mimato por aquele bolinho de bacalhau!
Ainda estou semi-molhada
Marido está com a cara de um policial do bope, prestes a torturar os bandidotudo
Só porque teve que ir nos buscar de carro no meio daquela chuva
Chuva ignorante, diga-se de passagem
Não havia necessidade pra tanta água com tanto vento
Custava ser aquela chuvinha besta?
Não... ela tinha que fazer tudo voar
Nos molhar da cabeça aos pés
Maricotinhas quase voaram com seus espetinhos de carne
Minha mãe, tentava nos proteger com seu guarda-chuva além de segurar uma latinha de refri
E eu só pensava que seria eleita a nova gata molhada do bairro, depois que a minha camiseta branca ficasse totalmente encharcada...
Quando olhava o estrago da água na minha camiseta, o telefone toca... eu digo alô sem respostaaaaa...
Tá, não vou me desvirtuar do assunto dessa vez
O telefone tocou e era o marido Oscar com a sua suave voz:
Cade vocês? Não acredito que está aí nessa chuva com as meninas, eu falei pra blá, blá, blá... eu tô indo aí buscar vcs.
Que grosseria!
As maricotinhas estavam gostando
Juro!
Tudo bem, que a minha mãe estava rezando
Coisa de mãe, sabe como é... já estava pensando em raios nos partindo ao meio e tudo mais...
Depois de uns cinco minutos e uma voltinha na barraquinha ele chegou
Com a cara mais retorcida de raiva
Raiva de que? Da chuva? De mim?
É acho que era de mim...
Mas eu não tenho medo...
Depois que ele parou irregularmente e pegou cada maricotinha e pois no carro
Veio me levar
E eu disse... no no no
Vamos buscar meu bolinho de bacalhau
O homem ferveu no meio da chuva
Mas foi comigo até a barraquinha
Pedi meus bolinhos
Tomei um choque ao encostar o braço da barraca da portuga
E ela ainda ia ligar a panela pra fritar os ditos
Eu tinha certeza que ele ia me afogar na poça de água mais próxima
Ou ia me furar os olhos com o guarda-chuva
Dessa vez eu tive medo e pedi os bolinhos sem fritar
Deixa, eu frito em casa... tá tudo bem... Rápido menha phelha!
Voltamos, eu fritei os bolinhos
A casa fede bacalhau
Já coloquei uma canelinha pra ferver
E agora vou enfrentar a fera... e cantar... que tal nós dois, numa banheira de espuma...
Acho melhor não falar em água, não acham?
Ps. Preciso dizer que depois que colocamos o corpitcho molhado em casa a chuva parou... preciso? E não me venham dizer que apressado leva pra casa bolinho de bacalhau cru.

